Liderados pelo Reino Unidos, ministros das Finanças de 11 países pediram nesta quarta-feira (15) que Estados Unidos, Israel e Irã implementem integralmente o cessar-fogo e afirmaram que o conflito pesará sobre a economia global e os mercados, mesmo que seja resolvido em breve.
A declaração conjunta, assinada por ministros da Austrália, Japão, Suécia, Holanda, Finlândia, Espanha, Noruega, Irlanda, Polônia, Nova Zelândia e Reino Unido, foi acordada um dia após o FMI (Fundo Monetário Internacional) reduzir suas previsões de crescimento econômico global por causa da guerra.
A declaração pediu que “todas as partes” adotem totalmente o cessar-fogo acordado em 7 de abril e afirmou que a guerra causou perdas de vidas inaceitáveis.
No mesmo dia que os EUA anunciaram o cessar-fogo, as forças de Israel atacaram o Líbano, alegando que não havia sido estendido o pacto para o território libanês. O regime iraniano revidou e bombardeou regiões israelenses e também de países-vizinhos aliados aos EUA.
“A retomada das hostilidades, uma ampliação do conflito ou a continuidade das interrupções no estreito de Hormuz representariam sérios riscos adicionais para a segurança energética global, as cadeias de suprimentos e a estabilidade econômica e financeira”, disse o documento.
“Mesmo com uma resolução duradoura do conflito, os impactos sobre o crescimento, a inflação e os mercados persistirão”, afirmou a declaração divulgada pelo governo britânico durante as reuniões do FMI e do Banco Mundial em Washington.
Cientes do aumento da dívida pública para ajudar famílias e empresas durante a pandemia de Covid-19 e após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, os ministros se comprometeram a ser fiscalmente responsáveis com qualquer novo apoio, que seria direcionado àqueles que mais precisam de ajuda.
“Comprometemo-nos a evitar, e pedimos a todos os países que evitem, ações protecionistas, incluindo controles de exportação injustificados, estocagem e outras barreiras comerciais em hidrocarbonetos e outras cadeias de suprimentos afetadas pela crise”, disseram.
A ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, que nesta semana classificou de insensata a estratégia dos EUA na guerra contra o Irã, manteve seus apelos pelo fim do conflito que Londres não apoiou. “Um cessar-fogo sustentado e evitar reações impulsivas é fundamental para limitar os custos para as famílias”, disse.
Na terça-feira (14), Trump ampliou suas críticas ao governo britânico por não ter aderido à guerra contra o Irã e disse que o acordo comercial do país com os EUA “sempre pode ser alterado”. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, respondeu nesta quarta que não cederá à pressão de Trump para entrar na guerra.