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Investidores compram títulos de dívida mais arriscados – 18/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

Investidores de crédito estão aumentando a exposição a dívidas mais arriscadas, apostando que Irã e Estados Unidos podem estender sua trégua e deixando para trás os ativos de proteção que vinham preferindo desde o início da guerra, no fim de fevereiro.

Na primeira metade de abril, os investidores compraram, em termos líquidos, US$ 500 milhões em títulos do nível mais baixo dentro do grau de investimento e venderam US$ 7,3 bilhões dos níveis mais altos, segundo o JPMorgan Chase & Co. Isso ajudou os títulos de nota BBB a terem desempenho relativamente melhor do que papéis com classificação mais alta, reduzindo o diferencial de juros entre empresas BBB e A para o menor nível desde antes da guerra.

Pode haver uma boa razão para esse melhor desempenho dos títulos um pouco mais arriscados: empresas com rating BBB superaram as previsões médias dos analistas mais do que empresas com rating A, segundo análise da Bloomberg News. Os compradores esperam que uma paz mais duradoura no Oriente Médio possa ser alcançada pelos negociadores e que empresas na faixa inferior do grau de investimento continuem apresentando bom desempenho.

“Há algum valor no segmento BBB, e os emissores têm sido bons gestores de seus balanços e, em geral, vêm melhorando a qualidade de crédito”, disse Gene Tannuzzo, chefe global de renda fixa da Columbia Threadneedle Investments.

Os investidores também vêm comprando títulos “junk” (arriscados, mas com potencial de alto rendimento), embora com preferência pela parte de melhor qualidade dentro desse espectro, o que indica que gestores ainda enxergam riscos à frente, mesmo com um otimismo moderado crescente. No geral, os spreads dos títulos de alto rendimento estão nos níveis mais baixos desde o início da guerra, com média de 2,72% no fechamento de quinta-feira (16).

Na quinta, a provedora de infraestrutura em nuvem CoreWeave acessou o mercado americano de títulos “junk” pela segunda vez em apenas uma semana, emitindo US$ 1 bilhão adicional em dívida após uma captação bem-sucedida de US$ 1,75 bilhão. Fundos de títulos junk registraram entrada líquida de US$ 2,8 bilhões nesta semana, o maior volume desde junho do ano passado, segundo a LSEG Lipper.

No mercado de grau de investimento, os resultados do primeiro trimestre até agora reforçam a visão de que as empresas resistiram ao choque energético. Entre as primeiras 100 companhias a divulgar resultados, aquelas classificadas como BBB pela S&P Global superaram as expectativas médias de lucro dos analistas em 9,3%, segundo dados compilados pela Bloomberg News. Para empresas com rating A ou superior, o número foi de 6,2%.

As expectativas de lucro corporativo continuaram a subir apesar do conflito, com empresas de menor classificação entregando resultados acima do esperado e renovando o otimismo em torno da inteligência artificial.

Ainda assim, as apostas em emissores BBB estão ficando saturadas, com o diferencial em relação aos pares com rating A nos EUA no menor nível desde antes da guerra.

“Consideramos os BBB caros”, disse Tony Trzcinka, gestor de portfólio de grau de investimento na Impax Asset Management.

Empresas de energia representam cerca de 10% do índice corporativo BBB da Bloomberg, mas apenas 3% entre os pares com rating A, o que também ajuda a explicar parte do melhor desempenho do primeiro grupo.

Emissores cujo endividamento disparou também estão gerando preocupação. Notadamente, a Oracle, classificada como BBB, contraiu US$ 120 bilhões em títulos em uma aposta alavancada —e ainda não comprovada— em inteligência artificial, tornando-se a maior tomadora de recursos no índice de títulos corporativos de grau de investimento dos EUA da Bloomberg, fora do setor bancário.

Tannuzzo demonstra cautela com empresas que aumentam rapidamente a alavancagem para financiar projetos de IA e vê valor em companhias de serviços públicos, energia e telecomunicações.

Da mesma forma, Jon Curran, chefe de crédito de grau de investimento da Principal Asset Management, busca empresas que estejam reduzindo alavancagem e emissores com balanços sólidos e posições competitivas em seus setores.

Enquanto isso, as negociações para encerrar a guerra continuam, com alguns líderes árabes do Golfo e europeus alertando que um acordo de paz pode levar cerca de seis meses para ser fechado, embora o presidente Donald Trump tenha afirmado ter obtido concessões importantes. Na sexta-feira (17), o Irã afirmou que abriria o Estreito de Ormuz durante um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o Hezbollah no Líbano, aumentando a perspectiva de um acordo de paz mais amplo.

Esses sinais mais otimistas têm sido suficientes para destravar compradores tanto no mercado secundário quanto no primário de crédito. Tomadores no mercado americano de grau de investimento emitiram quase US$ 58 bilhões em títulos nesta semana, liderados por bancos, mais de 40% acima do esperado. Na Europa, bancos e seguradoras levantaram o maior volume em títulos subordinados desde antes da guerra.

“A demanda tem acompanhado o ritmo da elevada emissão, com o mercado absorvendo a oferta de forma ordenada”, disse Curran.

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