O presidente Lula (PT) empossou nesta terça-feira (14) o deputado José Guimarães (PT-CE) como novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo com o Congresso Nacional.
Como antecipou a Folha, Guimarães foi escolhido por Lula para assumir o cargo de chefe da SRI (Secretaria de Relações Institucionais) após a saída de Gleisi Hoffmann do governo para disputar as eleições deste ano para senadora pelo Paraná.
A nomeção de Guimarães foi publicada na segunda (13), enquanto a cerimônia de posse foi marcada para esta terça, lotando um dos salões do Palácio do Planalto. Além de parlamentares, ministros de Estado também prestigiaram o anúncio.
“Não tem governo que dê certo que não tenha diálogo com o Congresso Nacional, faz parte da democracia. Quero ser, presidente, um instrumento da construção dessa política com o Congresso Nacional”, declarou ele.
O deputado federal Paulo Pimenta, ex-ministro da Secom (Secretaria de Comunicação) de Lula, assume o posto de Guimarães na Câmara como líder do governo na casa.
A decisão por Guimarães foi tomada na última semana, após consulta do governo ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que também participou da cerimônia desta terça.
“Dando essa sequência administrativa de poder, substituir os ministros que vão disputar eleição, o senhor [Lula] convidou pra esse ministério um cidadão que é muito respeitado pelos deputados”, disse Motta.
“Mesmo quando teve que divergir, Guimarães sempre divergiu com muita habilidade. Guimarães que deu essas demonstrações todas de correção ao longo de sua vida, dá mais uma vez uma demonstração de correção política e de compromisso para com o país quando abre mão de disputar uma eleição muito bem construída em seu estado em prol do bem do país”, afirmou.
Para assumir a pasta, Guimarães desistiu de se lançar candidato ao Senado pelo Ceará, fato destacado em discurso de Motta e de Davi Alcolumbre (União Alcolumbre-AP) durante a posse.
Ao contrário dos demais ministérios, a SRI ficou sem sucessor definitivo durante cerca de uma semana após a saída da titular.
Durante as discussões sobre a sucessão de Gleisi, outros nomes foram cogitados antes de Guimarães, entre eles o do secretário-executivo do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), Olavo Noleto.
Lula desistiu de nomear Noleto após ressalvas de líderes do Congresso à escolha. Com isso, o presidente passou a procurar um articulador mais experimentado. Noleto já ocupou diversos cargos em gestões petistas, mas nunca exerceu um mandato eletivo, como de deputado ou senador.
Segundo interlocutores, Lula gostou do perfil de Noleto, mas avaliou que o cargo demandava um nome com experiência na política cotidiana e com conhecimento sobre o equilíbrio de forças do Congresso.