O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, afirmou em Brasília na manhã desta quinta-feira (5) que Brasil e Rússia precisarão realizar pagamentos em moeda local e utilizar uma arquitetura de pagamentos independente se quiserem ampliar a cooperação bilateral.
“Para realizar os planos conjuntos, temos que aumentar pagamentos em moedas locais, aumentar a interação bancária e usar arquitetura independente de pagamentos”, afirmou o político russo, segundo tradução simultânea do governo brasileiro.
Ele discursou na abertura da 8ª reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), que acontece na capital federal e deve discutir a ampliação das relações comerciais entre os dois países.
Mishustin destacou que o Brasil é o principal parceiro econômico da Rússia na América Latina e disse que a digitalização e a transição energética abrem novas oportunidades. “A Rússia está disposta a compartilhar sua tecnologia na área atômica pacífica, inteligência artificial e automação”.
A perspectiva de “desdolarização” das transações internacionais tem sido defendida e posta em prática pela Rússia e pela China, que fazem parte do Brics junto com o Brasil e já realizam negócios em rublos e yuans.
A ideia interessa especialmente à Rússia, que sofreu sanções internacionais e foi retirada do Swift, o sistema global de transações financeiras, após invadir a Ucrânia em 2022.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também defende a criação de uma moeda comum do bloco. “Nós não podemos ficar dependendo do dólar, que é uma moeda de um único país, que foi assumida como moeda do mundo”, afirmou em agosto do ano passado.
Ao mesmo tempo, a perspectiva de abandono do dólar como moeda padrão virou alvo do presidente americano Donald Trump, que chamou o Brics de antiamericano e ameaçou impor uma tarifa adicional de 10% sobre o bloco.
“Quando ouvi falar desse grupo dos Brics, basicamente seis países, fiquei muito, muito chateado. E se eles realmente se formarem de forma significativa, isso acabará muito rápido”, afirmou o republicano, afirmando que o grupo tenta acabar com o protagonismo do dólar.
O comércio bilateral Brasil-Rússia foi de cerca de R$ 57 bilhões em 2025, segundo levantamento da Apex Brasil, agência de exportações vinculada ao Mdic (Ministério da Indústria Comércio e Serviços). O Brasil importa da Rússia principalmente óleo diesel e fertilizantes, exportando em troca carne bovina, café e soja.
A última vez que a CAN Brasil-Rússia se reuniu foi em 2015, durante o governo Temer. A reunião desta quinta-feira (5) deve tratar de ampliação da cooperação em energia, agricultura, ciência, tecnologia e inovação. Oito ministros, além do primeiro-ministro Mikhail Mishustin, integram a comitiva russa.
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