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Será que a Copa do Mundo trará turistas de volta aos EUA? – 15/04/2026 – Esporte

by Silas Câmara

A Copa do Mundo deste verão no hemisfério norte levará milhões de amantes do futebol aos estádios da América do Norte. Mas se o evento vai corresponder às altas expectativas dos organizadores pode depender de torcedores como Brett Shields e John Milce, de Nova Gales do Sul, na Austrália.

Ambos são torcedores de longa data dos Socceroos, a seleção masculina de futebol de seu país, e ambos já viajaram para a Copa do Mundo antes. Mas apenas um deles planeja ir ao torneio deste ano, que acontece de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

Shields, de 59 anos, vai. Ele já possui a autorização de viagem necessária, obtida em visitas anteriores à sua filha, que mora em São Francisco. Ele planeja ficar com ela e assistir aos jogos dos Socceroos lá e em Seattle.

Milce, de 76 anos, que já esteve em seis Copas do Mundo desde 1966, ficará em casa. Ele disse que fez comentários online sobre as políticas do presidente Donald Trump e temia ter a entrada negada na fronteira por causa das verificações de redes sociais propostas pelo governo americano e pela repressão mais ampla à imigração.

“Não sou um homem pobre, mas com os custos envolvidos, era um risco muito grande”, disse Milce.

Com o pontapé inicial a menos de 60 dias, líderes do setor de turismo e hotelaria nas 11 cidades-sede americanas estão acompanhando de perto a presença dos torcedores internacionais. Os Estados Unidos foram a única grande nação a registrar queda no turismo internacional em 2025, e os indícios de demanda fraca estão aumentando a ansiedade.

A empresa de pesquisa Tourism Economics projeta que mais de 1,2 milhão de visitantes internacionais viajarão para os Estados Unidos para a Copa do Mundo. Isso inclui quase 750 mil que não teriam vindo de outra forma, representando um aumento de aproximadamente 1,1 ponto percentual nas chegadas internacionais.

Ainda assim, a empresa revisou para baixo neste mês sua previsão para a taxa de recuperação da queda no número de turistas em relação ao ano passado. Restrições de visto, receio de agentes de imigração (inclusive em jogos da Copa do Mundo), aumento das buscas por celulares nas fronteiras e, para os torcedores, os custos exorbitantes de ingressos e transporte são apenas algumas das barreiras que afastam as pessoas.

Shields afirmou que, se não tivesse já sua autorização de viagem e hospedagem gratuita, “duvido que viajaria para a Copa do Mundo no cenário atual”.

A Copa do Mundo, que atraiu 3,4 milhões de espectadores ao Qatar em 2022, é um megaevento praticamente por definição, e os organizadores esperam que grande parte das reservas, tanto domésticas quanto internacionais, venha nos dois meses finais.

A U.S. Travel Association (a associação de viagens dos EUA) afirmou neste mês que a Copa do Mundo tem um “potencial extraordinário para gerar grandes ganhos econômicos” nos Estados Unidos, mas acrescentou que “preocupações com a segurança, percepções políticas e barreiras de entrada podem limitar a capacidade dos Estados Unidos de aproveitar totalmente essa oportunidade”.

Em Seattle, o número esperado de visitantes domésticos para a Copa do Mundo cresceu 30% desde 2024, disse Michael Woody, diretor de engajamento da Visit Seattle. Ao mesmo tempo, o número esperado de visitantes internacionais caiu 17%, impulsionado por uma queda particularmente acentuada de canadenses.

Torcedores vindos de países como Haiti e Irã, que estão em uma lista de 19 países cujos cidadãos foram proibidos de entrar nos Estados Unidos por Trump, não poderão assistir aos jogos da fase de grupos de suas seleções nacionais. Torcedores de potências do futebol como Costa do Marfim e Senegal, entre as 14 nações africanas cujos cidadãos enfrentam rígidas restrições de visto, podem ser obrigados a pagar fianças de até US$ 15 mil (R$ 74,4 mil) para entrar no país.

Apostando em reservas de última hora

As cidades-sede americanas depositam suas esperanças nos viajantes de última hora. Zane Harrington, porta-voz da Visit Dallas, disse esperar que “a maioria” dos torcedores que forem à cidade reserve suas estadias nos dois meses restantes antes do início do torneio —ou até mesmo durante o torneio, conforme as equipes avançam da fase de grupos.

Martha Sheridan, CEO da Meet Boston, organização de marketing e turismo da cidade, afirmou que a venda de ingressos para as sete partidas no Gillette Stadium foi “robusta” e que se dividiu aproximadamente em três partes entre moradores da Nova Inglaterra, visitantes nacionais do resto do país e viajantes internacionais.

A demanda por hotéis em Boston em junho aumentou cerca de 11% em comparação com o mesmo período do ano passado, disse ela. Esse aumento foi menor do que o esperado por sua equipe para este período quando o planejamento começou em 2024, acrescentou, mas ela se sente “muito otimista” de que as reservas continuarão a subir nas próximas semanas.

A Fifa (Federação Internacional de Futebol) liberou nas últimas semanas blocos de milhares de quartos de hotel nos três países anfitriões, enquanto os comitês organizadores locais reduziram o tamanho dos festivais para fãs em locais como Nova Jersey, São Francisco e Seattle, alimentando discussões sobre se a demanda estava abaixo das expectativas.

Mas Jamie Lane, economista-chefe e vice-presidente sênior de análise da AirDNA, empresa que coleta e analisa dados de aluguel de curta duração, afirmou que é prática comum para grandes eventos reduzirem seus blocos de quartos enquanto finalizam os preparativos para contratação de pessoal e patrocínios, e que as mudanças não indicam uma demanda fraca.

Um porta-voz da Fifa disse que as mudanças nos festivais para fãs não foram feitas em resposta à demanda, observando que alguns dos eventos agora acontecerão em vários bairros, em vez de em um grande local central.

Um evento maior e menos previsível

Dados publicados neste mês pela AirDNA mostram um aumento nas reservas de aluguel de curta duração, em diferentes graus, em todas as cidades anfitriãs. As reservas nos dias de jogos da fase de grupos aumentaram mais em Monterrey, no México, com um aumento médio de 564% em comparação com as mesmas datas do ano passado.

As reservas subiram 209% na Cidade do México, 171% em Kansas City, 152% em Miami e 52% em Toronto, de acordo com a AirDNA.

Uma série de fatores, incluindo quais seleções estão competindo e o grau de regulamentação dos aluguéis de curta duração nas cidades, influenciam esses números. Em São Francisco, onde as reservas de aluguéis de curta duração aumentaram 28% nos dias de jogos da fase de grupos, Anna Marie Presutti, CEO da San Francisco Travel Association, disse acreditar que a demanda não atingiu seu potencial máximo porque a guerra no Irã está dificultando as viagens de torcedores da Jordânia e do Qatar, duas seleções que estão jogando lá.

Em Nova York, onde os aluguéis de curta duração são bastante restritos, as reservas de hotéis durante o período da Copa do Mundo estão “mais ou menos iguais” em comparação com o mesmo período do ano passado, disse Vijay Dandapani, CEO da Hotel Association of New York City.

Sylvia Weiler, presidente de destinos globais da empresa de marketing e dados de viagens Sojern, afirmou que a estrutura reformulada desta Copa do Mundo —distribuída por três países e com um número recorde de 48 seleções— dificultou a previsão de como os padrões de viagem se comportariam à medida que o torneio se aproximava.

“Falamos sobre o que era esperado”, disse Weiler. “Eu sempre colocaria uma pequena ressalva, porque não sabíamos o que esperar.”

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