Um comboio de oito navios-tanque cruzou o estreito de Ormuz neste sábado (18), marcando a primeira movimentação significativa desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, há sete semanas. A retomada parcial do tráfego ocorre em meio ao endurecimento do controle iraniano sobre a rota, responsável, antes do conflito, por cerca de um quinto do comércio global de petróleo.
Teerã afirmou que voltou a impor regras militares rígidas na passagem, após o que classificou como violações e atos de “pirataria” por parte dos EUA sob o pretexto de bloqueio. Segundo autoridades iranianas, a liberação recente para um número limitado de embarcações ocorreu “de boa-fé”, mas foi revertida diante da escalada de tensões. Não houve resposta imediata de Washington.
Dados da MarineTraffic indicam que quatro navios de gás liquefeito, além de petroleiros de derivados e químicos, transitavam por águas iranianas ao sul da ilha de Larak, com outras embarcações a caminho a partir do Golfo. O movimento ocorre dias após um cessar-fogo de dez dias mediado pelos EUA entre Israel e Líbano, que levou à reabertura temporária da rota.
Apesar da circulação inicial de navios, o cenário segue incerto. Não há clareza sobre a retomada de negociações diretas entre Estados Unidos e Irã, especialmente diante do impasse sobre o programa nuclear iraniano — principal ponto de atrito. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que há “boas notícias” em relação ao Irã e disse esperar avanços nas negociações ao longo do fim de semana, mas voltou a alertar que os combates podem ser retomados caso não haja acordo até quarta-feira, quando expira o cessar-fogo.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques de EUA e Israel ao Irã, já deixou milhares de mortos, se expandiu para o Líbano e provocou alta nos preços do petróleo, em razão do fechamento de fato do estreito. Na sexta-feira, no entanto, os preços recuaram cerca de 10% com a perspectiva de retomada do tráfego marítimo.
Nos bastidores, há dúvidas sobre a realização de novas rodadas de negociações neste fim de semana. Embora Trump tenha mencionado possíveis encontros, diplomatas apontam dificuldades logísticas para uma reunião em Islamabad, no Paquistão, onde as conversas são esperadas. Até a manhã de sábado, não havia sinais concretos de preparação para o encontro.
Autoridades paquistanesas, que atuam como mediadoras, indicam que um eventual entendimento inicial poderia abrir caminho para um acordo de paz mais amplo em até 60 dias. Ainda assim, declarações recentes de líderes iranianos sugerem que o estreito de Ormuz pode voltar a ser fechado caso o bloqueio americano seja mantido.
O programa nuclear segue como principal entrave. Enquanto Washington defende a retirada dos estoques de urânio enriquecido do Irã, Teerã insiste em manter o material e afirma que seu programa tem fins civis. Propostas discutidas recentemente incluem a suspensão das atividades nucleares iranianas por até 20 anos, segundo os EUA, ou por um período entre três e cinco anos, segundo fontes próximas às negociações.