O grupo francês Danone fechou acordo para adquirir a Huel, marca britânica de shakes usados para substituir refeições, por cerca de 1 bilhão de euros (R$ 6 bi). A operação marca uma investida no crescente mercado de alimentos e bebidas fortificados.
O acordo é o mais recente esforço da Danone, fabricante do iogurte Activia e da água Evian, para capitalizar a tendência da chamada nutrição funcional, que abrange suplementos e bebidas proteicas e com vitaminas adicionadas.
As duas empresas anunciaram na segunda-feira (23) que os “alimentos completos” em pó, barras de cereais e bebidas da Huel atendem à crescente demanda de usuários de medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 e de consumidores cada vez mais preocupados com a saúde.
A Huel, nome que une as palavras “human” (humano) e “fuel” (combustível), começou em 2015 como um negócio de venda direta ao consumidor, antes de fechar acordos para vender suas bebidas proteicas sabor chocolate, banana e baunilha em supermercados do Reino Unido como parte das promoções de almoço “meal deals”.
Popular entre jovens que investem em produtos fitness, a marca agora vende em toda a Europa e nos Estados Unidos. A Huel deve registrar receitas de mais de 250 milhões de libras (R$ 1,7 bi), em comparação com 214 milhões de libras (R$ 1,5 bi) no ano anterior, com margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização de cerca de 10% em 2025, disse uma pessoa próxima à empresa.
Os produtos da Huel são feitos com uma mistura de ingredientes à base de plantas, fortificados com vitaminas e proteínas. A marca, que afirma que seus produtos são nutricionalmente completos, tem sido criticada por produzir produtos ultraprocessados e comercializá-los como alternativas saudáveis. A Huel rebateu que nem todos os ultraprocessados são “inerentemente ruins”.
James McMaster, CEO da Huel, disse após o anúncio do acordo que o principal apelo da marca é sua conveniência, acrescentando que os jovens de hoje gastam metade do tempo preparando comida em comparação com a geração anterior. McMaster acrescentou que refeições de baixa caloria, que são “ótimas para o público de GLP-1”, agora estão no centro de seu portfólio de produtos.
A Danone está pagando cerca de1 bilhão de euros pela Huel, segundo uma pessoa com conhecimento do acordo. A empresa britânica, que explorou uma oferta pública inicial em 2021, foi avaliada pela última vez em US$ 560 milhões (R$ 2,9 bi) em uma rodada de financiamento em 2022.
O CEO da Danone, Antoine de Saint-Affrique, disse que a Huel é uma “grande marca e está exatamente onde o consumidor está indo”, e que ela se beneficiará das capacidades de pesquisa e desenvolvimento da Danone. O grupo francês, por sua vez, pode aprender com a experiência da Huel em vendas digitais e diretas ao consumidor, acrescentou Saint-Affrique.
McMaster permanecerá como chefe da Huel, administrando-a como um negócio autônomo que se reportará ao diretor da Danone para a Europa.
A estratégia da Danone sob Saint-Affrique tem sido apostar em alimentos funcionais focados em saúde, como suas linhas de iogurtes ricos em proteína voltados para atletas e frequentadores de academia.
A divisão de nutrição especializada, que atende pessoas com necessidades específicas de saúde, como pessoas com restrições médicas e bebês, é a que mais cresce. No entanto, o negócio de fórmulas infantis foi impactado por uma crise recente, que também afetou rivais, resultando em recalls e queda no preço das ações.
A Danone comprou recentemente a Kate Farms, empresa americana de nutrição médica orgânica, e a Akkermansia Company, uma empresa de biotecnologia belga focada em ciência do microbioma.
Os maiores acionistas da Huel são o fundador Julian Hearn, a firma de capital de risco Highland Europe, com sede em Londres, e o Morgan Stanley, que investiu em novembro de 2023 por meio de seu fundo de private equity focado em clima, o 1GT.
Outros investidores incluíram o ator Idris Elba e sua esposa, o apresentador Jonathan Ross e o empreendedor Steven Bartlett.