Estudo encomendado pelo IBJR (Instituto Brasileiro do Jogo Responsável) afirma que os jogos de apostas têm peso limitado sobre o consumo das famílias. Os gastos com bets, segundo o levantamento, representam 0,46% do consumo, patamar similar ao das bebidas alcoólicas, que representam 0,5%.
O levantamento foi feito pela consultoria econômica LCA. As empresas de apostas online pretendem, com esses números, rebater as afirmações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que as bets são responsáveis pelo aumento do endividamento das famílias.
Os cálculos se baseiam em dados da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) cruzados com informações do IBGE sobre o volume total de gastos em consumo das famílias. Em 2025, o consumo foi de R$ 8,1 trilhão, enquanto as bets representaram um gasto de R$ 37 bilhões. Já as bebidas alcoólicas ficaram com R$ 40,5 bilhões em despesas. Os dados do levantamento não são segregados por extrato social.
“A maior importância é que a gente faça chegar [esse estudo] no Palácio do Planalto. A gente [setor de apostas] está no fogo cruzado. Queremos qualificar o debate, trazer elementos e dados”, afirma André Gelfi, um dos fundadores do IBJR e sócio da Betsson.
Entre as empresas que compõem o IBJR estão a Betano, a Betfair e a Bet Nacional. Os resultados do estudo foram apresentados nesta semana, em evento do Instituto Livre Mercado, em Brasília.
No mesmo dia, mais cedo, Lula afirmou em entrevista ao portal 247 que as casas de aposta estão ligadas ao endividamento e criticou o setor. “Agora, tem as bets para assaltar o povo.”
No Brasil, algumas pesquisas vêm indicando que as bets têm produzido estragos no orçamento das famílias e elevado o endividamento.
Levantamento do Instituto Locomotiva indicou que 25 milhões de pessoas passaram a fazer apostas eletrônicas entre janeiro e julho de 2024 —e que em cinco anos 52 milhões jogaram. Das pessoas que apostam, 86% afirmaram ter dívidas e 64% estariam negativadas na Serasa. Entre todos os endividados e inadimplentes no país, a pesquisa constatou que 31% jogam nas bets.
Segundo o estudo da LCA, o gasto líquido médio por apostador em 2025 foi de R$ 122, uma média de 3,3% da renda média do brasileiro por mês em fevereiro de 2026. Os dados também são da SPA, referentes a 2025, cruzados com os do IBGE.
As despesas com as bets também tiveram um ligeiro crescimento, indo de 0,3% em 2017 e 2018, antes da regulamentação dos jogos de aposta, para 0,46% hoje, de acordo com o levantamento. Os dados de 2017 e 2018 são da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), do IBGE.
A situação do endividamento provocou uma reação do governo, que vai implementar novas medidas com o objetivo de reduzir a inadimplência. Entre elas a renegociação de dívidas e a possibilidade de o trabalhador sacar até 20% do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar as dívidas, como antecipou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Folha.
Durigan detalhou também que haverá limitações para usuários de bets, com uma espécie de quarentena para apostas para quem aderir ao programa. “O presidente vai arbitrar. A gente tem trabalhado com um prazo de seis meses”, afirmou.