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Escala 6×1: ministro defende projeto do governo – 17/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu nesta sexta-feira (17) o projeto de lei enviado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para acabar com a escala 6×1 e afirmou que propostas que preveem a redução imediata da jornada para 36 horas semanais são uma “irresponsabilidade”. Segundo ele, a economia brasileira comporta uma redução mais gradual, para 40 horas semanais.

“Na visão do governo, seria uma irresponsabilidade falar em 36 horas semanais imediatamente para a economia. A economia, na nossa visão, na nossa análise, nas nossas pesquisas, suporta tranquilamente o impacto da redução para 40 horas semanais, sem redução de salário”, afirmou.

O ministro também rebateu a leitura de que a discussão tenha motivação eleitoral. “Esse debate não tem nada a ver com o processo eleitoral. Esse debate tem a ver com a unidade do Brasil, da classe trabalhadora, das empresas”, disse.

Segundo Marinho, mudanças na jornada já vêm sendo testadas por empresas, com resultados como redução de faltas e melhora na produtividade. Ele citou experiências com modelos alternativos, como o 5×2, que teriam facilitado a contratação e diminuído o absenteísmo. Na avaliação do ministro, ambientes de trabalho mais favoráveis tendem a elevar a qualidade da produção e compensar eventuais custos da mudança.

A declaração ocorre em meio a um impasse no Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende priorizar a tramitação de PECs (Propostas de Emenda à Constituição) e não deve dar andamento ao projeto de lei enviado pelo governo com urgência constitucional.

Marinho defendeu que a mudança seja conduzida por meio de projeto de lei, com implementação gradual, enquanto uma eventual alteração constitucional poderia consolidar o novo patamar no futuro. “Seria muito mais natural trabalhar a redução pelo projeto de lei e a PEC consolidar depois”, afirmou. “Atropelar o rito por um capricho de ser PEC e não PL não parece plausível.”

Com o projeto em andamento por meio das PECs também é necessário que elas passem pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e por uma comissão especial antes de serem votadas em plenário. Ele afirmou que o modelo permite uma discussão mais ampla e que a votação ocorrerá “sem atropelo”.

A decisão contraria a estratégia do governo, que aposta no projeto de lei por ter tramitação mais rápida. Pelo regime de urgência constitucional, a proposta precisa ser analisada em até 45 dias ou passa a travar a pauta da Câmara.

Atualmente, duas PECs tratam do tema. Uma delas, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê a redução da jornada para 36 horas semanais. Outra, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), estabelece o mesmo limite, mas com implementação ao longo de dez anos.

Apesar da divergência sobre o instrumento, Marinho afirmou que não há impasse com o Legislativo e que a posição do governo já foi apresentada. Segundo ele, a tramitação agora depende exclusivamente do Congresso.

O ministro também afirmou que o presidente da Câmara tem prerrogativa para definir a pauta, mas não de forma exclusiva. “Ele é o presidente da Câmara, ele não é dono da Câmara”, disse.













O que muda PEC Erika Hilton PEC Reginaldo Lopes Projeto do governo
Jornada e escala 36 horas semanais, oito horas por dia, quatro dias de trabalho 36 horas semanais, com limite de oito horas diárias 40 horas semanais, sendo oito horas por dia e com escala 5×2 —cinco dias de trabalho e dois de descanso; o descanso remunerado deve ser aos sábados e domingos de preferência
Salário Sem redução Sem redução Sem redução
12×36 Não trata Não trata Fica mantida essa escala, limitada a 40 horas semanais, com dois dias de descanso na semana, por meio de negociação coletiva
Compensação da jornada Negociação coletiva pode tratar da compensação Negociação coletiva pode tratar da compensação Negociação coletiva pode tratar da compensação; diz ainda que os dois dias de descanso são remunerados; com isso, devem ter folga ou pagamento de hora extra em dobro
Negociação coletiva Pode prever compensação de horários e determinar como será a redução da jornada Pode prever compensação de horários e determinar como será a redução da jornada Negociações que preveem regras diferentes para jornada, folgas e compensações seguem valendo e devem respeitar a particularidade de cada categoria
Categorias Não aborda especificamente, mas vale para todos os trabalhadores Não aborda especificamente, mas vale para todos os trabalhadores Vale para todos os trabalhadores, incluindo comércio, domésticos, profissionais da área da saúde, aeronautas, atletas profissionais, radialistas e outros
Validade 360 dias após a publicação Dez anos após a publicação Na data da publicação
Tramitação Votação em dois turnos, com aprovação de 308 deputados e 49 senadores Votação em dois turnos, com aprovação de 308 deputados e 49 senadores Votação em um turno em cada casa, com aprovação por maioria simples (50% mais um voto)
Justificativas Diminuirá burnout e criará empregos Aumentará o consumo e movimentará a economia Moderniza a legislação trabalhista e garante descanso ampliado no mercado de trabalho

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