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Governadora do DF vê má vontade de Lula em ajudar BRB – 15/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), evitou detalhar nesta quarta-feira (15) o avanço do plano de socorro ao BRB (Banco de Brasília) e disse ver falta de boa vontade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ajudar a instituição do Distrito Federal.

Desde a tentativa frustrada de compra do Banco Master e da aquisição de carteiras fraudulentas da instituição de Daniel Vorcaro, o BRB enfrenta uma crise financeira e negocia alternativas para se manter de pé.

“O governo federal não deu nenhuma resposta sobre nenhuma ajuda. Pedimos tudo, acho que não tem a boa vontade de fazer”, disse Celina. No último dia 30 de março, a governadora debateu o tema com o ministro Dario Durigan (Fazenda) por telefone.

Como mostrou a Folha, a avaliação no governo Lula é que esse tema precisa ser solucionado pelo próprio Distrito Federal, acionista controlador do BRB.

Como argumento, Celina disse que o governo federal prestou assistência a outro banco, o Digimais, do bispo Edir Macedo. O BTG Pactual fechou um acordo de intenção de compra com o Digimais, e o negócio ainda precisa do aval do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), além de um eventual acerto com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para financiar a transação. O FGC, no entanto, não está ligado ao governo Lula.

“É bem claro que não quer fazer nenhuma movimentação. O que acho triste, porque tem que ter institucionalidade […] Sou uma governadora de direita, mas todas as vezes que tiver que conversar sobre minha cidade, eu estarei pronta para isso. Esperava isso também dele [Lula], mas não aconteceu”, disse.

Celina é pré-candidata ao governo na chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado.

Questionada por jornalistas sobre o pedido de empréstimo solicitado pelo governo do Distrito Federal ao FGC e sobre a negociação do BRB com a gestora Quadra Capital, Celina não quis fazer comentários para evitar ruídos com o mercado financeiro.

“O que posso dizer é que todas as medidas estão sendo tomadas e as providências estão sendo tomadas. Aquilo que ficar pactuado e já acordado com o Banco Central no momento certo será amplamente divulgado”, afirmou. “O BRB é um banco sólido, o BRB tem uma história nessa cidade”, reforçou.

O tom de otimismo também marcou o discurso do presidente do BRB a empresários na abertura de evento organizado pelo grupo Lide, em Brasília, no momento delicado que atravessa a instituição do Distrito Federal.

“Para quem acreditou que o BRB iria quebrar, eu quero dizer que o BRB não vai quebrar, que o BRB vai estar mais sólido e que o BRB vai ser cada vez mais a empresa ícone do povo de Brasília e região”, afirmou.

A desconfiança dos investidores cresceu depois que o banco adiou a divulgação do balanço de 2025, desrespeitando o prazo legal para companhias de capital aberto.

Sem as demonstrações financeiras, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o Master continua desconhecido. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do banco de Vorcaro.

Em março, foi sancionada a lei que autoriza o governo do Distrito Federal a executar ações como a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC ou instituições financeiras.

“Temos enfrentado um momento desafiador, que exige responsabilidade, transparência e decisões firmes, mas é justamente nesse momento que se revelam os verdadeiros pilares de uma instituição”, disse o presidente do BRB.

“Estamos conduzindo um trabalho consistente de fortalecimento do BRB, com foco em eficiência operacional, melhoria de governança e disciplina na gestão. Estamos revisando processos, fortalecendo controles e elevando nível de exigência de todas as decisões”, complementou.

Na semana passada, o BRB comunicou a destituição dos diretores Diogo Ilário de Araújo Oliveira, de Atacado e Governo, e José Maria Corrêa Dias Júnior, de Tecnologia, ambos remanescentes da antiga gestão do banco.

Análise conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll, colocou sob suspeita a atuação de antigos gestores do banco, incluindo o ex-presidente Paulo Henrique Costa.

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