Empresas que operam logística de transporte marítimo fazem os cálculos para o que pode ser uma tempestade perfeita no setor. A soma da chegada do inverno, o prolongamento da guerra no Irã, o preço do combustível e a reforma tributária podem criar uma pressão no mercado e sobrecarregar ainda mais o porto de Santos, o maior do país.
Um aspecto pouco debatido, segundo empresários ouvidos pela coluna, é como a reforma tributária vai desincentivar o descarregamento em portos menores. O setor ainda tenta mensurar o aumento de cargas que isso vai provocar em Santos, um complexo que, segundo eles, está cada vez mais saturado e com dificuldades de acesso.
A visão é que a mudança da maré no inverno, que inicia em junho, e a dificuldade logística costumam tornar mais lento e demorado o processo de atracação e saída dos navios. A maioria dos portos nacionais não suporta equipamentos que facilitam a movimentação em marés mais fortes e com neblina.
Os efeitos da guerra no Irã podem ser sentidos no aumento do custo mesmo para operadores que dependem menos de rotas que passam pelo estreito de Hormuz. Isso se mostra no preço do combustível de navio, um diesel pesado, altamente poluente, que está 20% mais caro por causa do conflito. Há também o tempo de viagem por causa das mudanças de rota.
Mas um problema já sentido que pode se agravar é a quantidade de contêineres disponíveis. Os navios levam as unidades de carga para o destino, mas essas precisam voltar para serem novamente usadas no Brasil, em um circuito de idas e vindas. No momento, por causa dos problemas logísticos, os TEUs (unidades de contêineres de 20 pés) estão partindo mais do que têm retornado.
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