O FMI (Fundo Monetário Internacional), o Banco Mundial e a AIE (Agência Internacional de Energia) pediram nesta segunda-feira (13) que os países evitem acumular suprimentos de energia e impor controles de exportação que poderiam agravar o que chamaram de maior choque já registrado no mercado global de energia.
O chefe da AIE, Fatih Birol, disse a repórteres após uma reunião com líderes do FMI e do Banco Mundial que vários países estavam retendo estoques e impondo restrições à exportação, e apelou a todas as nações para que permitam que os estoques de energia fluam para os mercados. Ele não citou os países.
“Não causem danos”, disse a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, observando que estava se reunindo com países duramente atingidos na Ásia, na África Subsaariana e em algumas ilhas do Pacífico Sul que estavam preocupados com o abastecimento.
“O primeiro princípio deveria ser: não imponham restrições à exportação que só estão piorando o desequilíbrio”, disse ela, acrescentando que a guerra teria um impacto mais severo no crescimento e na inflação se continuasse por um período prolongado.
Os militares dos Estados Unidos iniciaram nesta segunda um bloqueio de navios que saem dos portos do Irã, e Teerã ameaçou retaliar contra os portos de seus vizinhos do golfo após o fracasso das negociações em Islamabad no final de semana para encerrar a guerra.
Os preços do petróleo voltaram a ultrapassar US$ 100 por barril, sem sinais de uma reabertura rápida do estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Birol disse em um evento do Atlantic Council mais cedo que o conflito havia desencadeado a pior disrupção energética global de todos os tempos, com mais de 80 instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio danificadas até o momento. Ele disse que a situação era ruim em março, quando algumas cargas haviam sido embarcadas, mas poderia piorar neste mês.
“A escala do problema é enorme, e os países sofrerão com isso, alguns mais do que outros, mas posso dizer… nenhum país está imune”, disse Birol.
Os líderes das três instituições prometeram continuar coordenando suas respostas ao conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo em 50% desde que começou em 28 de fevereiro. O choque também elevou os preços do gás e dos fertilizantes, gerando preocupações sobre segurança alimentar e perda de empregos.
“Reconhecemos que quando agimos juntos, o impacto de nossa ação é maior. Somos mais eficientes, ajudamos mais os países-membros”, disse Georgieva.
PREVISÕES DE CRESCIMENTO E INFLAÇÃO
O comunicado observou que a situação permanece muito incerta e, mesmo após a retomada dos fluxos regulares de navegação pelo estreito de Hormuz, levará tempo para que os suprimentos globais de commodities essenciais voltem aos níveis pré-conflito.
O FMI e o Banco Mundial disseram que esperam rebaixar suas previsões de crescimento e elevar seus números de inflação como resultado da guerra. O FMI divulgará novas previsões nesta terça-feira (14), e a AIE deve divulgar um novo relatório mensal sobre o mercado de petróleo. A guerra lançou uma sombra profunda sobre as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Washington esta semana.
Birol disse que a AIE já havia liberado cerca de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas e estava preparada para tomar medidas adicionais se liberações extras fossem consideradas necessárias.
“Os 400 milhões representam apenas 20% de nossas reservas. Ainda temos 80% guardados”, disse ele. “Estamos avaliando a situação e, se e quando decidirmos que é o momento, estamos prontos para agir e agir imediatamente.”