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Lula volta a defender biocombustíveis em feira de Hannover – 20/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

“Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina. As pessoas comem comida.” Em seu segundo dia na Alemanha, Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o biocombustível brasileiro na Feira Industrial de Hannover, nesta segunda-feira (20), a maior do gênero no planeta. O Brasil é o país convidado da 79ª edição do evento.

Na abertura do 42° Encontro Econômico Brasil Alemanha, o presidente reclamou da regulação da União Europeia sobre o produto, em revisão neste momento, e do novo sistema de taxação de carbono sobre as importações do bloco. A UE limita, por exemplo, o uso de biocombustíveis à base de culturas alimentares.

“A União Europeia espera chegar a 50% de renováveis em sua matriz em 2050. O Brasil já cumpriu essa meta em 2025”, disse Lula, repetindo fala da véspera sobre a “trajetória pioneira” do país no setor nos anos 1970.

“Hoje, na Feira de Hannover, vimos na prática a força do biocombustível brasileiro. Foi uma pena que o primeiro-ministro não pôde visitar o caminhão”, disse Lula, brincando com o fato de ter subido em um modelo fabricado no Brasil após os discursos iniciais dele e de seu anfitrião, Friedrich Merz, no pavilhão 12 da Hannover Messe.

Um passeio dos dois pelo gigantesco complexo que abriga a feira, na região central da Alemanha, estava previsto na programação, mas não ocorreu. Lula chegou cerca de meia hora atrasado ao local. Merz agradeceu o empenho do presidente em preservar a Amazônia. “Respeitamos profundamente a forma como o senhor lida com esse valioso tesouro da humanidade.”

Também agradeceu pelo papel desempenhado por Lula na COP30, em Belém, no ano passado, mas sem fazer referência a seu comentário polêmico sobre a cidade que viralizou nas redes sociais. “Estamos felizes por você estar aqui.”

O premiê alemão voltou a festejar a entrada em vigor do acordo UE-Mercosul, “em uma época de grandes mudanças geopolíticas e geoeconômicas”. Foi o mais longe que chegou sobre o momento político mundial, ao contrário de Lula, que voltou a fazer referência à guerra no Irã protagonizada por EUA e Israel.

A “maluquice”, do dia anterior, deu lugar a uma crítica mais geral sobre revolução digital, que “está induzindo a humanidade a ter um comportamento totalmente diferente daquilo para o qual os seres humanos foram criados”, e fake news. “O mundo não pode ser dirigido por alguém que pensa que é mais importante do que os outros, que impõe decisões, como se o mundo não existisse democraticamente.”

Depois dos discursos, Lula causou um alvoroço sem precedentes, segundo os organizadores, entre expositores, visitantes e jornalistas ao dedicar paradas de minutos em alguns dos principais estandes do pavilhão brasileiro, que neste ano, por conta da homenagem, alcança a marca recorde de 140 empresas e startups.

Além de subir em um caminhão Mercedes desenvolvido pela Be8, entrou em uma representação do carro aéreo desenvolvido pela Embraer. Passou também pela Volkswagen do Brasil, Weg, Vale e no estande do Senai.

“O Brasil é um país que quer se transformar em uma economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre.”

Além de uma entrevista coletiva com Merz, Lula ainda faria uma visita privada à sede da Volkswagen, em Wolfsburg, nesta segunda-feira (20).

A visita à Europa, que começou em Barcelona, na semana passada, se encerra nesta terça, com uma escala em Lisboa.

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