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Porto e Fleury abandonam proposta pela Oncoclínicas – 13/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

Os grupos Porto e o Fleury desistiram de um acordo para comprar participação na Oncoclínicas. A oferta havia sido anunciada no mês passado e previa a criação de uma empresa com as clínicas de tratamento de câncer, com aporte inicial de R$ 500 milhões, que poderia ser complementada por outros R$ 500 milhões via emissão de debêntures conversíveis em ações.

As tratativas incluíam um prazo de exclusividade de negociações, que se encerrou nestas segunda-feira (13), mas as conversas não avançaram.

A Oncoclínicas enfrenta situação delicada. Na semana passada, o balanço do quarto trimestre de 2025 veio com o aviso de que a empresa está em um “cenário de incertezas significativas” sobre a “continuidade operacional”. O prejuízo líquido da empresa disparou de R$ 717 milhões em 2024 para R$ 3,6 bilhões em 2025.

Segundo o comentário dos diretores na demonstração financeira, o cenário é fruto de fatores que afetaram a liquidez corrente da companhia, como as perdas com recursos depositados no Banco Master, a inadimplência da Unimed-Ferj e uma redução de receitas por causa de uma revisão da política comercial.

A Oncoclínicas é uma rede de clínicas oncológicas que tem, atualmente, 146 unidades em 49 cidades do país. As unidades da rede incluem clínicas, laboratórios de genômica e patologia, unidades de prevenção e diagnóstico e centros integrados de tratamento ao câncer.

Uma pessoa ligada à gestão da Oncoclínicas disse, sob condição de anonimato, que a empresa não aceitou a extensão do período de exclusividade de negociação com Porto e Fleury, que decidiram desistir do ativo.

Nos últimos dias, a Oncoclínicas recebeu propostas por parte da gestora Starboard e do fundo Mak Capital, que detém uma fatia de 6,3% da rede oncológica. Segundo um executivo, outras negociações estão em andamento.

Porto e Fleury devem oficializar a recusa nesta terça-feira (14) via fato relevante.

Com uma dívida que chega a R$ 3,3 bilhões, a Oncoclínicas entrou nesta segunda-feira (13) com uma ação de tutela cautelar em caráter antecedente para suspender os efeitos de cláusulas contratuais que imponham o vencimento antecipado de dívidas da companhia, segundo pessoas ligadas ao assunto.

“A tutela cautelar terá como objetivo proporcionar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável para a companhia, permitindo com que ela conduza a mediação e negociação com seus credores sem interrupção de suas atividades ou alteração na condução ordinária de seus negócios”, afirmou a Oncoclínicas em fato relevante divulgado ao mercado.

A companhia rompeu com um dos covenants (cláusula) de sua dívida ao encerrar 2025 com uma relação dívida líquida sobre Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 4,3 vezes, acima do limite de 3,5 vezes previsto nos contratos.

Entre os executivos da Porto e do Fleury havia a expectativa de que o balanço de resultados da Oncoclínicas fosse divulgado números menores de dívida. O tamanho do débito era o ponto central das negociações entre as empresas, já que o contrato de compromisso assinado pelas empresas estabelecia um limite que não superasse os R$ 2,5 bilhões.

Ainda assim, o comentário entre pessoas envolvidas na negociação era de que foi melhor que o tamanho da dívida aparecer agora, em vez de depois de os acordos avançarem.

O segmento oncológico é um ativo estratégico dentro do setor clínico, pois gera o maior lucro ambulatorial do setor de saúde. Com a capilaridade da Oncoclínicas e uma boa gestão financeira, Porto e Fleury esperavam que o negócio representasse uma oportunidade de alavancar os negócios e ampliar a margem de faturamento.

Ainda assim, o cheque só seria assinado com um valor justo, levando em conta o tamanho da dívida.

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